Agora que já definimos as crenças limitantes, conhecemos suas fontes externas e entendemos que não somos uma tábula rasa e que podemos trazer as respostas para vida de dentro de nós mesmos, isso significa que podemos rever e transformar o nosso modo de pensar, a partir dessa nossa essência interior, para ficarmos atentos e não permitir mais que as crenças limitantes se instalem em nós, caso elas sejam inadequadas, e que saibamos reagir e buscar a forma de pensar mais adequada.
Para transformar suas crenças limitantes, você precisa primeiro perceber que você tem essas crenças. Em alguns momentos ou fases da vida, você até questiona essas crenças. Você quer viver pelos seus próprios valores. Você sente que algo está errado no modo como você vive.
E assim, você observa e procura modos de viver que estejam mais de acordo com o seu eu, que mais te agradem. Mesmo assim, algumas crenças podem estar tão arraigadas que você não percebe que estão aí te atrapalhando, interferindo no seu desenvolvimento ou te limitando.
Normalmente, só percebemos o negativo em nós quando nos sentimos limitados por algo que não sabemos o que é, que não conseguimos resolver, nem entender como ou porquê aquilo acontece conosco. Ou quando sofremos frustrações, derrotas ou perdas que não entendemos porquê. Em geral, são situações que se repetem e sempre saímos perdendo.
Somente nesses momentos é que começamos a perceber que tem algo errado conosco e que precisamos fazer alguma coisa para mudar. Se a vida vai sempre bem e seguimos uma trajetória ascendente e equilibrada, dificilmente vamos sentir necessidade de mudar quem somos.
De fato, há pessoas que conseguem seguir direitinho o plano que foi traçado para a vida delas e conseguem cumprir e acertar em todos os aspectos. Eu já atendi pessoas, relativamente jovens, que tinham feito tudo tão certo, que não tinha nada para mudar, era só seguir em frente! Mas acredito que essas pessoas são raras. E a maior parte desses casos é de pessoas jovens.
Conforme vamos vivendo e amadurecendo, mais responsabilidades e carmas aparecem. Então, a tendência é que a maior parte de nós não vai conseguir acertar em tudo. Sempre tem aspectos em nossas vidas que não dão muito certo e que precisamos rever de vez em quando.
E um bom ponto para essa revisão começar é eliminando as crenças limitantes. Quando sofremos e percebemos padrões repetitivos de sofrimento, podemos desconfiar que algo em nós está impedindo nosso desenvolvimento, nosso crescimento, nosso progresso e expansão.
Mas como vamos identificar essas crenças limitantes? Como vamos saber quais são as crenças que estão nos impedindo de seguir, de ir além dos limites?
Nós já entendemos como nós absorvemos as crenças provenientes do meio externo. E já sabemos que nem todas as crenças são limitantes. Boa parte do que absorvemos e acreditamos nos faz bem e nos ajuda a viver de forma equilibrada.
E é importante sermos gratos por tudo que aprendemos de todos aqueles que vieram antes de nós e que se dispuseram a ser nossos anfitriões, nos receber no mundo e nos ensinar sobre o mundo. Nossos pais são nossos anfitriões aqui, eles nos recebem e cuidam de nós e isso é o que nos possibilita interagir com essa realidade da terceira dimensão.
No entanto, algumas crenças podem não ser boas para nós. Ou podem ser boas por algum tempo e depois deixarem de nos fazer bem. Outras crenças, realmente nos fazem mal desde sempre. Então, porque mantemos essas crenças dentro de nós se estão nos fazendo mal, nos limitando?
Porque, na maioria das vezes, nem mesmo percebemos que temos essas crenças. Então, vamos entender como as crenças se formam dentro de nós, e como elas passam a fazer parte de quem nós somos, porém olhando do ponto de vista do que se passa internamente.
Nós chegamos ao mundo com os nossos equipamentos para reconhecer e poder viver no mundo. Esses equipamentos são os nossos 5 sentidos. Visão, audição, tato, olfato e paladar. Tudo que percebemos está ligado a eles. E mesmo que algumas pessoas não tenham algum desses sentidos, ela acaba aguçando outros ainda mais, para compensar.
Por exemplo, uma pessoa cega, normalmente, redireciona aquela energia que ia para o sentido da visão para outros sentidos. Então, ela pode aguçar, aumentar a percepção do sentido da audição e do tato, porque ela vai precisar usar bem mais esses sentidos para substituir, de certa forma, a visão.
Se pensarmos bem, toda nossa realidade só é formada através dos sentidos. Então, nós efetivamente não temos uma realidade e sim uma interpretação do que chamamos de realidade. Exatamente como um computador interpretando um código binário.
O que nos dá a garantia de que algo é real, além dos nossos próprios sentidos? É só a confirmação dos outros seres, pelos sentidos deles. Você pode não concordar comigo e dizer: “Eu estou vendo, então é real”. Mas se a pessoa que está do seu lado não está vendo a mesma coisa, o que você vai pensar? Estou maluco! Isso não é real! Estou vendo um fantasma! Uma ilusão!
Por exemplo, você vê um obstáculo com sua visão e pula, com sua capacidade sinestésica de perceber o contorno, as dimensões do obstáculo. Sua mãe também vê e pula o obstáculo. E o seu cachorro também enxerga e pula o mesmo obstáculo. Já são 3 seres concordando que o obstáculo existe, certo? Não apenas seres humanos, mas outros seres também. Com isso, é possível deduzir que o obstáculo é real. E como todos são dotados dos mesmos equipamentos, todos conseguem ver e sentir a mesma coisa.
Mas vamos supor que tivéssemos outros equipamentos para reconhecer o mundo. E que os nossos sentidos de seres humanos fossem diferentes dos sentidos de outros seres. Por exemplo, se os nossos sentidos fossem diferentes dos sentidos dos cães, como seria? Na verdade, isso acontece mesmo, porque muitos animais têm alguns sentidos bem mais aguçados que os nossos e eles conseguem ver, ouvir e sentir cheiros muito mais refinados e precisos que nós humanos.
Os cães têm um olfato muito superior ao dos humanos. A memória do cachorro vem pelo olfato. Vocês já passearam com um cachorro? Observem como os cães passeiam. Eles cheiram tudo, cada matinho, cada calçada, cada portão. Especialmente aqueles locais em que outro cachorro passou e fez xixi. É ali que eles cheiram com mais vontade.
Eu fico imaginando um cachorro pensando quando ele está cheirando o xixi de outro no poste: “Hoje passou por aqui um poodle branco, ele tomou leite, comeu uma ração gostosa e bifinhos de frango; mas também passou aqui um rottweiler de uns 30 quilos, que comeu muita polenta com arroz e carne moída. Hum, que delicia!”
Mas, e se nós tivéssemos algo ainda mais diferente do que os nossos 5 sentidos? Vamos pensar em um modem. Vocês se lembram do que é um modem? Um aparelho de comunicação que converte os sinais analógicos para sinais digitais. E eles nos permitem, de certa forma, ter um recurso a mais à nossa disposição! Porque eles codificam, transformam e decodificam um sinal de um formato para outro, nos possibilitando ver um monte de letras e números sem sentido, como algo que faz total sentido para nós! Mas observe bem o que nós estamos dizendo sempre: faz sentido! Sentidos! Sempre os sentidos são nosso meio de comunicação. Sem os sentidos, nós não teríamos como perceber o mundo!
Porém, o sentido por si só, não é suficiente para que a gente compreenda os dados que recebemos. Nós precisamos de algo para interpretar aqueles dados absorvidos dos sentidos. Assim, um outro elemento se junta a essa equação de interpretação do mundo, que é a nossa mente, ou nosso cérebro.
O cérebro é o responsável por acumular as informações que nós captamos pelos sentidos do meio externo. Tudo que vemos, ouvimos, tateamos, saboreamos ou cheiramos entra como informação para ser armazenado pelo nosso cérebro! Logo, o cérebro funciona como o nosso modem para interpretar tudo que nós recebemos como informação, certo?
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Quando nascemos parece que somos uma espécie de tábula rasa em relação ao meio externo, sem nenhuma informação. Nós já vimos que não é bem assim. Mas a nossa curiosidade e a mente aparentemente vazia nos ajudam a acumular a informação que recebemos e, depois que crescemos, nós achamos que a realidade é aquilo que tem no nosso cérebro, que nós recebemos do meio externo, interpretamos e armazenamos.
Só que cada pessoa recebe informações diferentes, dependendo do contexto onde ela vive. Das pessoas com quem ela convive. Assim se forma um ser humano. Ou outro ser qualquer. Todos os seres vivem mais ou menos dessa forma. Eles recebem os seguintes dispositivos: um corpo com 5 sentidos e um equipamento de tradução para interpretar os códigos recebidos do ambiente externo, que é o cérebro ou algo semelhante ao cérebro.
No caso das plantas, elas não têm o cérebro, mas têm algum tipo de sensor, que permite interpretar a informação que ela recebe do meio. Por exemplo, os pesquisadores Appel e Cocroft (2014) descobriram, em seus experimentos, que o barulho que as lagartas fazem ao mastigar faz as plantas inundarem suas folhas com defesas químicas para afastar predadores (Gabbatiss, 2017).
Com isso, eles fizeram gravações do barulho das lagartas e colocaram perto das plantas para verificar se tinham o mesmo efeito que as lagartas e realmente tinham! As folhas soltaram aquelas substâncias nas folhas para se defender dos predadores, que eram as lagartas. Ou seja, as plantas também usam alguma parte do seu organismo como uma espécie de cérebro para se defenderem.
Então tudo que nós temos para afirmar que o mundo existe são os nossos sensores, o equipamento que armazena os sinais e transforma em informações para podermos nos comunicar por meio dos mesmos sensores.
A partir do momento que vamos acumulando informações em nosso cérebro, surge um outro recurso muito importante que nos ajuda a formar nossas crenças, que é o raciocínio. E o que é raciocinar? No dicionário está dito que raciocinar é “fazer uso da razão para estabelecer relações entre (coisas e fatos), para entender, calcular, deduzir, julgar (algo); refletir”.
Mas eu tenho uma definição complementar. No meu entendimento, o raciocínio é a nossa capacidade de relacionar informações que temos armazenadas em nossa mente, por meio de operações matemáticas. Podemos somar duas informações. Podemos subtrair, multiplicar ou dividir. Usamos muito a teoria dos conjuntos para trabalhar com as informações na nossa mente.
Por exemplo, podemos classificar, agrupar, fazer a interseção entre informações, fazer a união de informações. Assim é que vamos criando novas informações. E assim surge o que chamamos de conhecimento. A manipulação das informações em nossa mente nos leva a produzir conhecimento. Também podemos receber o conhecimento de outras pessoas e assumir como nossos.
Assim, parte das nossas crenças também pode vir do nosso conhecimento. O próprio conhecimento pode se transformar em crença. E já não é mais algo extraído dos sentidos e sim algo criado ou introduzido em nossa mente, é algo mais elaborado do que simplesmente receber informação do meio.
E é assim que você armazena suas crenças! Por meio dos seus sentidos, das informações que você manipula, dos conhecimentos que você cria ou recebe de outras pessoas. No entanto, tudo isso continua sendo proveniente do meio externo, certo? Mesmo quando você cria uma nova informação ou conhecimento baseado no que recebeu de informação do meio externo, ainda assim, o resultado é uma sofisticação de algo que veio do meio externo. Mas será que não existem outros sentidos além desses? E outras formas de captar os sinais? E outros meios que não sejam externos?
No meu entendimento, sim! E então nós podemos falar de um sexto sentido, que é chamado de intuição! Esse sentido é diferente, porque ele não absorve nada do meio externo e sim do meio interno!
A intuição é nosso meio de contato com uma realidade que está além dos nossos sentidos, relativos à matéria. Porque os 5 sentidos só conseguem captar o que é palpável, portanto, material. E a nossa interpretação transforma o que é captado em informação, que é armazenada em nosso cérebro.
Mas o que se chama de sexto sentido vai captar informações que estão além da matéria, que são impalpáveis. E é por isso que é tão difícil de acreditar na intuição! São 5 contra 1!!!
Nós estamos acostumados a usar os nossos sentidos diariamente, em praticamente tudo que fazemos. Como vamos parar de usar os sentidos ou diminuir nosso apego a eles? É bem difícil para não dizer impossível. Até quando dormimos nós estamos usando nossos sentidos para não cair da cama, para não sentir frio ou calor. Praticamente impossível nos livrarmos deles!
Mas porque seria interessante usarmos nosso sexto sentido, a intuição? Porque as respostas e soluções trazidas pela intuição podem ser mais promissoras que as trazidas pelos outros sentidos. A intuição pode nos trazer insights de como devemos pensar e agir, de qual é o pensamento correto, qual é a ação correta, norteando nossa vida, e nos fazendo sentir bem em relação a nós mesmos, independente dos outros. Aqueles que já usaram ou que usam sempre a intuição dizem que essa é a verdadeira realidade!
A intuição faz você ter uma sensação de que algo é bom e certo para você. E você progride ao fazer aquilo. Ou faz você ter uma sensação ruim ao fazer algo, como se aquilo fosse errado de alguma forma, mesmo sem você entender porquê. E então você descobre que era um golpe ou uma trapaça.
Mas, pela intuição, você sente as respostas vindo do seu coração. Não é algo que você está observando, que você aprende pelo comportamento do outro. Também não é algo que você pensa, que você absorveu do meio externo. É algo além, que vem do seu interior, é uma certeza certeira, você não tem nenhuma dúvida sobre o que fazer.
A intuição é uma forma de receber respostas da nossa própria alma, na forma de insights, que nos levam ao pensamento correto e à ação correta. Por isso, podemos substituir nossas crenças limitantes pelos valores da nossa alma, trazidos pela intuição.
Agora que compreendemos o que são as crenças limitantes, de onde elas vêm, como elas se formam em nós, e que podemos buscar respostas melhores que as crenças limitantes dentro de nós mesmos, vamos descobrir juntos as possíveis soluções para transformar as crenças limitantes, tanto no contexto científico, quanto no contexto do autoconhecimento e da espiritualidade.

