No meu entendimento, a melhor técnica para identificar as crenças limitantes é a meditação ou o mindfulness. E por que eu penso isso? Porque as técnicas de análise só funcionam em nível consciente. Mas a meditação, além de nos trazer a intuição, funciona também no nível inconsciente.
Ocorre que nós temos, pelo menos, uns 3 níveis de consciência, segundo Freud, Jung e outros pesquisadores contemporâneos das neurociências. O consciente, subconsciente e o inconsciente. O primeiro nível é o consciente, que é a camada mais superficial onde guardamos as memórias recentes. O segundo nível é o pré-consciente ou subconsciente, que é a memória média, nem profunda, nem superficial, que não acessamos imediatamente, mas com algum esforço de recordação. O terceiro nível é o inconsciente, que não acessamos quase nunca e que só é trazido à tona por meio de linguagem simbólica.
Nós também podemos fazer uma associação com os dois níveis de memórias. Embora esses níveis possam ser mais detalhados, aqui vamos falar mais superficialmente, apenas por analogia. Assim, nós temos a memória de curto prazo, com a qual retemos a informação por pouco tempo, até que ela seja esquecida ou armazenada. E temos a memória de longo prazo, com a qual retemos as recordações de episódios, fatos e aprendizados da nossa vida.
A de longo prazo se subdivide em declarativa e procedimental, termos provavelmente emprestados da computação. A memória declarativa de longo prazo é a que nos ajuda a reter os fatos e acontecimentos. E a memória procedimental de longo prazo é aquela que nos ajuda a reter os aprendizados. Digamos que essa memória procedimental é que vai se transformar naquilo que sabemos fazer, naquilo que se torna inerente a nós pelo aprendizado e pela habituação. Ou seja, que se torna automático. Exatamente como ocorre com as crenças!
Então, podemos fazer um paralelo entre os conteúdos inconscientes e a nossa memória procedimental de longo prazo, onde ficam armazenados os nossos aprendizados, nossos princípios, nossos valores, nosso modo de nos comportarmos no mundo.
Ou seja, é no inconsciente que ficam aquelas informações que, embora não lembramos delas, interferem em nossas ações, pensamentos e sentimentos. Para o bem ou para o mal! E é justamente lá que ficam as crenças limitantes. Esse lugar da memória é onde deixamos todos os nossos automatismos, toda informação que serve como subsídio às nossas ações automáticas!
Exemplo: você aprendeu a escovar os dentes, a comer com um garfo, a andar de bicicleta, a ler e escrever, a dirigir um carro, a fazer contas de somar, subtrair, multiplicar e dividir. E que maravilhoso você não precisar pensar cada vez que vai fazer essas coisas, não é? O automatismo é algo bom e imprescindível à nossa sanidade!
Quantas coisas você aprendeu ao longo da vida e você faz essas coisas sem a menor consciência??? Já pensou se precisasse pensar cada vez que escovasse os dentes? Sabe o tanto de energia que é gasta do seu corpo para pensar e realizar uma ação qualquer? Somos automáticos, graças a Deus! O automatismo do nosso corpo e da nossa mente é uma forma de proteção e de conservação de energia.
Assim, é imprescindível que boa parte das ações que realizamos sejam aprendidas nas primeiras repetições e sejam armazenadas nas profundezas da nossa mente, formando nosso inconsciente, nossa memória procedimental de longo prazo.
Mas como vivemos na dualidade, tudo por aqui é uma faca de dois legumes e a mesma vantagem do nosso inconsciente de guardar os aprendizados para automação das nossas ações, também é a desvantagem de guardar as nossas crenças limitantes.
Por meio da meditação, nós conseguimos ter acesso às profundezas do nosso inconsciente para buscar e identificar as crenças que estão nos limitando. A meditação nos ajuda a acessar o nível subconsciente e o nível inconsciente, aquele em que nós armazenamos as informações que estão nos levando a agir, mas nem percebemos, porque estão tão arraigadas em nós, que parece que são parte de nós. Na verdade, são informações que já nos esquecemos, mas são a base de tudo o que fazemos.
Muitas pessoas conseguem meditar, entrar em um estado profundo de regressão e identificar crenças que surgiram na infância, na adolescência ou mesmo na vida adulta. Só o fato de ter a consciência de como aquela crença surgiu muitas vezes já é suficiente para modificar completamente o modo de pensar e de agir da pessoa de agora em diante. E tudo isso, com a prática da meditação.
A meditação pode nos levar para níveis ainda mais profundos, e podemos chegar até mesmo a vidas passadas, em busca de traumas e de situações kármicas que nos afetam atualmente como crenças limitantes.
Posso contar a vocês um caso de uma pessoa que conheci, que sofria de obesidade. Fiz com ela a regressão a vidas passadas, que não deixa de ser uma forma de meditação guiada, e ela descobriu uma vida passada em que ela viveu em um país africano e lá ela passou muita fome e ela só pele e osso. Foi uma vida de extremo sofrimento. Nessa vida, desde muito criança, ela sempre comeu muito, para se manter com reserva de energia no corpo e não consegue emagrecer, porque sente que precisa manter o corpo com essas reservas.

