Como funciona a autoestima?

No capítulo anterior, nós falamos sobre a autoestima baixa e a culpa que, muitas vezes, queremos atribuir aos outros ou a nós mesmos pela nossa aparente incapacidade de amar a nós mesmos. E vimos que a culpa não é de ninguém e que o melhor mesmo é fazermos pequenos ajustes na nossa mente sobre as pessoas que estão refletidas ali, entender que as pessoas são como são, inclusive você!

E que o que elas fazem “não é contra você”; que a pessoa age daquela maneira porque é o melhor que ela pode fazer! E se você aceita os outros como são, também aceita a si mesmo; se perdoa os outros, também perdoa a si mesmo. E as relações com as pessoas ficam mais leves, sem culpa!

E a conclusão importante disso é: “você só pode dar o que você tem”.

Veja, se você tem um pacote de pipoca, o que você vai oferecer aos outros? Uma barra de chocolate? Não, porque você não tem uma barra de chocolate, você tem delicioso saco de pipoca! Então, você só pode oferecer pipoca, não é?

E se você tem perdão dentro de você, o que você vai oferecer aos outros? Perdão! Não é lindo isso? Mas você se perdoa e não perdoa os outros, talvez seja porque você está cheio de ódio e de vingança dentro de você. E de onde vem isso? Esses sentimentos negativos pelos outros? Vem do seu cachorro? Do seu peixe? Da sua gata? Não, esse sentimento vem de você. Está dentro de você.

Então a pergunta que não quer calar? Como você tem tanto ódio e vingança dentro de você? E porque está direcionando para essa pessoa? Porque tem alguma coisa que te aconteceu e que você sentiu ódio, sentiu vontade de se vingar, e guardou isso em você! Agora, tem essa energia ruim acumulada aí dentro, atraindo pessoas, para você poder descontar esse ódio e vingança. 

E se você não jogar isso em cima de outra pessoa, se você reprime essas emoções, é ainda pior, porque isso vira contra você, na forma de doença ou vício ou de algum desequilíbrio, que se manifesta de algum jeito.

Assim, você precisa compreender o sentimento que está em você, mas que você reflete nas pessoas, achando que o problema são as pessoas. Na verdade o problema está só na forma como você vê as coisas, as pessoas e principalmente a si mesmo.

Se você conseguir entender o que te levou àquela situação de ódio, de vingança ou qualquer outro sentimento negativo, você poderá eliminar ou transformar ou, melhor ainda, transcender esses sentimentos.

E como você vai fazer isso? Primeiro vamos entender como a autoestima funciona.

A autoestima pode vir do seu ego ou da sua alma. Normalmente, é um misto de ambos. E o que isso significa?

A parte da autoestima que vem do seu ego é construída a partir das suas experiências sensoriais, ou seja, tudo aquilo que você recebe de informações dos seus 5 sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. De tudo que você aprendeu do meio externo e das relações com as pessoas.

A parte da autoestima que vem da sua alma é obtida a partir da sua intuição, ou seja, do seu sexto sentido. São aqueles insights que você recebe, que te dão a certeza de que você não é apenas matéria, não é apenas um corpo, você é muito mais que isso! Você é uma centelha do Fogo Divino! É um espírito de luz em expansão! E você sente que tem alguma coisa lá em cima, um Deus, uma Existência, uma Força Superior que está olhando por você e mantendo tudo na mais perfeita ordem aqui embaixo. 

Acontece que a autoestima que vem do seu ego nem sempre é uma alta autoestima. Então, sua autoestima construída a partir do ego vai depender muito das experiências que você teve ao longo da vida e das relações com as pessoas. Normalmente, se você foi bem tratado pelas pessoas, sua autoestima será alta; mas se foi maltratado, ao menos, nestes aspectos, sua autoestima será baixa. Além disso, são muitas as regras e princípios que você deve seguir para se adequar às pessoas e viver em sociedade.

Então, você pode ser um bom seguidor de regras e todos ficam felizes com você e te tratam bem e isso melhora a sua autoestima. Ou você pode ser um péssimo seguidor de regras e as pessoas não ficam felizes com você, não te tratam muito bem e isso piora sua autoestima.

E é aí que a porca torce o rabo! O problema de você seguir o ego é que você não vai conseguir agradar a todos. Sempre haverá aqueles que você vai desagradar. Eu diria que em torno de 50% das pessoas com quem a gente convive, não conseguimos agradar. Mas quando a gente vive em sociedade, desenvolvemos ideais, desejos e metas de quem desejamos ser, para sermos aceitos.

É, e você achou que aquele sonho que você tem de ser alguma coisa é seu, não é? Pense bem! Será que é mesmo seu ou é só um modo de agradar alguém ou ser aceito?

Vamos dar alguns exemplos: primeiro, queremos agradar nossos pais, fazer o que vai deixar eles felizes. Então, você queria muito ser um cantor, mas seus pais querem que você seja médico, é uma velha história bem conhecida! E lá vai você fazer medicina! Para agradar seus pais. 

Na escola, você vê seus amiguinhos usando chinelo de dedo. Todas as crianças usando chinelo de dedo. E você odeia o chinelo de dedo, porque aquela borracha irritante machuca o seu pé! Mas você vai usar o bendito chinelo de dedos, cozinhar os seus dedinhos, para ficar igual aos amiguinhos.

Então, você vai na igreja e aprende um monte de regras e princípios que você deve seguir, senão você pode ir para o inferno. Você até questiona: “será que existe inferno?”, mas por inércia ou para acompanhar os seus amiguinhos, que agora já cresceram e são seus amigões, você acaba aceitando e seguindo em frente. É a força da maioria! 

Então, você vai na balada e os seus amigos todos estão fumando um cigarro. Como você vai ficar de fora, não é? E você começa um vício, porque todo mundo faz. Aí, você assiste a TV e vê os artistas usando marcas famosas e então você começa a usar também, para parecer uma pessoa muito badalada e importante, como os artistas.

Aí, você se torna um adulto e se casa e você quer agradar seu amor. E você faz tudo que ele quer, com medo de ele ir embora. Você aceita tudo, porque a sua parceira em primeiro lugar. E assim, a vida vai passando e você vai fazendo tudo que os outros te deixam. E a sua autoestima é baseada nisso: em agradar os outros, em ser aceito.

Essa é a autoestima que vem do ego.

E eis o problema! Você não está se agradando. Você começa a se sentir uma pessoa muito desagradável para si mesmo. Os outros em primeiro lugar. Mas você nem percebe, está anestesiado, porque está tão acostumado a pensar daquele jeito, que parece tudo certo! E você não tem tempo para pensar sobre isso, porque agora a vida exige muito de você.

Tem muitas coisas que você precisa fazer para deixar os outros felizes, não é? Você vai trabalhar em uma empresa e precisa agradar seu chefe. E ter a missão, a visão e os valores da sua empresa para se sentir parte dela! E às vezes coincide com os seus valores, mas nem sempre! Mesmo assim, você fica lá, porque precisa do dinheiro. Mesmo contrariando seus valores.

E você começa a ficar doente, a ficar triste, com depressão, dor de estômago, pressão alta, coração. Aí você começa a passar pelas perdas necessárias, de que falava Judith Viorst no seu livro “Perdas necessárias”, que é um jeitinho que a vida dá para te trazer de volta ao caminho certo. E só então você percebe o quanto se deixou de lado. 

Aí você diz: “Ah, mas então eu tenho que viver do meu jeito e dane-se os outros?” Também não! Vamos repetir o mantra do Buda: o equilíbrio está no caminho do meio! Você pode agradar os outros, desde que não se desagrade. Você pode ser legal com os outros, desde que você tenha bem estabelecidos os seus princípios e não quebre eles para ser legal com os outros.

Tudo é uma questão de se inspirar e refletir, antes de agir. De ter valores em primeiro lugar e agir com base nesses valores. E esses valores vêm da sua intuição! Essa é a autoestima que vem da sua alma! 

São os valores verdadeiros que vêm da sua alma, do seu espírito! E isso é uma construção contínua na nossa vida. E se você tem essa segunda autoestima que vem da sua alma, e que deveria ser a primeira, fica muito mais fácil de você construir esses valores.

Lembra daquele desenho do picapau em que tem um anjinho e um diabinho na cabeça dele falando? Então, o diabinho é a autoestima do ego, que vem do meio externo, e o anjinho é a autoestima da alma, que vem pela intuição.

Se você se der um tempo e ouvir profundamente a sua intuição, você vai distinguir a verdade, os valores que vêm da sua alma e que devem ser a base das suas ações. E a sua própria intuição vai achar uma maneira de você se desvencilhar da autoestima do ego por uma atitude interna. E isso vai transparecer, de dentro para fora, e todos vão perceber e entender!

No próximo capítulo, vamos falar um pouco sobre a comunicação com a alma para buscar a nossa verdadeira autoestima. Mas você sabe como se comunicar com a sua alma? Como é que você sabe se está tendo uma intuição? Será que tem algum meio de comunicação eficiente para isso? Será que tem alguma antena de rádio? um satélite? Talvez um celular? Então, veja o próximo capítulo para saber!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Você também pode se interessar...

Oferenda Propiciatória. ©Alfarrábios da Alma, 2025
Blog
Sannyasin Bayaty

Oferenda Propiciatória para Outra Pessoa

Esta é uma Oferenda Propiciatória para ser feita após a Oferenda de Descarrego ou de forma independente. O objetivo é pedir aos mentores a renovação e o renascimento de uma pessoa querida ou não, seja seu familiar ou amigo, ou até mesmo inimigo que você deseja que cresça e se torne uma pessoa melhor, alguém a quem você quer ajudar sem se intrometer, nem prejudicar.

Leia mais »
Oferenda de Descarrego. ©Alfarrábios da Alma, 2025
Blog
Sannyasin Bayaty

Oferenda de Descarrego para Outra Pessoa

Esta é uma Oferenda de Descarrego para liberar energias negativas que possam estar afetando a vida de alguém querido, seja seu familiar ou amigo, ou até mesmo inimigo que você deseja que cresça e se torne uma pessoa melhor, alguém a quem você quer ajudar sem se intrometer, nem prejudicar.

Leia mais »